
Em 1999, muito antes de virar moda ter banda de rock com uma mulher na voz, o KiLLi nasceu. Hardcore, sim. Mas com pegada pop e letras bonitinhas sobre “eu-e-você” e voz doce. Parecido com o que se ouve hoje por ai, só que mais roqueiro, sem tanta pose e sem esse ridículo desespero comercial.
Semanas atrás o Paulo Senoni me escreveu, em busca de alguma sugestão de baterista para a volta do KiLLi. Fiquei feliz com a notícia e lembrei de 2003, quando recebi meu primeiro CD pelo correio. A F Records descobriu meu antigo fanzine [chamado Alternativo Rock] no Hangar 110 e me mandou o Contando os Dias, primeiro full álbum do KiLLi. O lançamento do disco virou anuncio na edição seguinte. Bons tempos.
Então, meio sem querer, tenho uma relação de carinho com esss disco [e acho que é a primeira vez que falo sobre isso na vida], que é o único do KiLLi que ouvi de cabo a rabo. Depois de algum tempo parei de acompanhar a carreira deles, mas fiquei feliz de saber sobre o retorno da banda, com quase toda a formação original [Mariana na voz, Paulo na Guitarra e Tavinho no baixo]. Troquei um e-mail com eles e as novidades estão todas ai.
Como foi ver outras meninas cantando as suas músicas? E como é agora, cantar músicas feitas quando você não estava na banda?
Mariana: as músicas na verdade não eram minhas. Eram todas dos meninos, a maioria do Paulo. Mas sim, é muito emocionante, gratificante, empolgante, ver alguém cantando o que um dia eu cantei pela primeira vez. O que acho mais incrível é saber que um dia minha voz chegou aonde eu nem sonhei em chegar. Que minha voz viajou pra lugares que nem imagino e que, provavelmente, nunca visitarei! Que minha voz conheceu pessoas com quem nunca vou falar! É muito mágico. Cantar as músicas que não são da minha época também é muito divertido, é como se fosse um monte de covers! Eu tinha saído do KiLLi, mas nunca tinha deixado de acreditar (e gostar) da banda.
Vocês vão fazer músicas novas já para a reestreia? Quando acontece?
Mariana: o esquema agora vai ser um pouco diferente. Não vamos mais enfrentar aquele ritmo maluco de antes, então acho que vai sobrar mais espaço pra todo mundo compor. Nesses últimos anos eu só não tava mais nos palcos, mas nunca saí da música. Passei a me entender melhor com o violão e até saíram algumas coisas que eu nem sabia que conseguia fazer. E tá todo mundo mais experiente também [para não dizer velho!]. Então, sim, provavelmente teremos muitas coisas novas. Mas prefiro não arriscar datas. Isso é muito limitador!
É muito nostálgico tocar novamente músicas antigas? Quais são as preferidas até agora?
Paulo: é nostálgico e desafiador ao mesmo tempo. No último ano e meio eu estava tocando no Last Post e no Pousatigres, bandas com estilos diferentes do KiLLi. A minha “pegada” na guitarra mudou, então estou me re-adaptando aos power-chords com palhetadas ultra-rápidas. Mas isso é legal, é algo que estava me fazendo falta. E é interessante revisitar essas fases meio que pré-históricas da nossa vida. O KiLLi sempre foi muito honesto nas letras, então essas músicas são tipo um diário dos últimos 10 anos. Até agora as músicas que estou mais curtindo tocar são Fim do Mundo, Tudo a Perder e Posso.

Ah gente! Killindo! Na verdade eu nunca acreditei que tivesse acabado! Espero vocês em BH! =]